Enquanto a sociedade moderna treme pelas bases e os gurus convencionais assumem não ter uma resposta pronta, todas as nossas maneiras de produzir, trabalhar, aprender, viver e sobretudo consumir dos últimos 50 anos estão a ser postas em causa. Na digestão de crise após crise a abertura a modelos alternativos de gestão do bem comum nunca foi tão grande. Parece que a inovação social deixou definitivamente de se limitar a desenhar soluções para os problemas sociais politicamente correctos como as desigualdades, o desemprego, a exclusão ou o envelhecimento da população e começou a infiltrar-se em áreas mais incómodas e até agora pouco liberadas como a propriedade intelectual, a produção alimentar, a publicidade, a educação, a saúde e mesmo a ciência e os modelos de mercado.
Será que já podemos falar num quarto sector? Onde os formatos mais institucionais de acção do Estado, Empresas e ONGs são rejeitados ou reinventados? Onde o envolvimento nas nossas comunidades deixa de ser uma vocação ou uma carreira mal-remunerada para se tornar natural? Onde os cidadãos retomam as rédeas da sociedade e exigem serem co-gestores do seu destino comum? Onde a república volta a ser a Res Publica (‘coisa pública’, a não confundir com os republicanos americanos)?
A série hibernal de encontros C-days pretende explorar as potencialidades da cidadania activa, os formatos emergentes de organização mútua e os contornos de um novo sentido comunitário ou até mesmo uma nova concepção social, enquanto paralelamente espera ajudar a capacitar redes sociais informais que se baseiem na troca e colaboração para realizar projectos comunitários.